Entenda por que a morte do líder venezuelano afeta a
Igreja Perseguida na Colômbia e saiba como funcionam as relações entre
esses dois países da América Latina
Ao norte da Colômbia - 46ª nação na
Classificação de países por perseguição
- está a fronteira com a Venezuela, Estado liderado, até então, por
Hugo Chávez. Após 14 anos no poder, ontem, a população venezuelana viveu
a perda do presidente, famoso por seu discurso antiamericano.
Presidente
da Venezuela desde 1999, Chávez lutava, há dois anos, contra um câncer
na região pélvica. O tratamento, mantido como segredo de Estado, o levou
diversas vezes a Cuba, país de regime comunista, aliado às rígidas
políticas do presidente. Fascinado pela ideologia apregoada por Simón
Bolívar, conhecido revolucionário que participou do processo de
independência de diversos países vizinhos ao Brasil, Chávez foi
tenente-coronel do corpo de paraquedistas do Exército venezuelano antes
de chegar à presidência. Foi, inclusive, preso em 2002, ao participar de
um golpe de Estado que fracassou.
Em matéria de capa, o jornal O
Estado de S.Paulo de hoje, 6 de março, ressalta a popularidade do líder
venezuelano, campeão das urnas: de 15 eleições disputadas, ele perdeu
somente uma. Ovacionado por seus partidários políticos, Chávez era, ao
mesmo tempo, tido como um líder autocrático pelos adversários (segundo
seus opositores, o presidente reivindicava para si o poder absoluto do
Estado). Era acusado de "distribuir a riqueza venezuelana aos países
aliados a seu arco esquerdista", conforme a mesma notícia do Estadão.
Chávez também tinha uma relação de confronto com a mídia privada e
fechou diversas emissoras de rádio e TV durante o seu mandato.
A
História traz pontos importantes que ligam a Venezuela à Colômbia:
ambos os países foram colonizados pela Espanha. A Colômbia tornou-se
independente em 1819, fundamentada nos ideais revolucionários de Simón
Bolívar (o mesmo líder que inspirou o governo de Hugo Chávez).
As FARCS (Forças Armadas Revolucionárias da
Colômbia) e a ENL (Exército Nacional de Libertação), grupos de cunho
marxista, surgiram inspirados pela revolução cubana de 1959 (país aliado
à Chávez, onde, como dito acima, o presidente realizou seus tratamentos
médicos). Entenda, portanto, que há uma colcha de retalhos entre os
governos e revoluções da América Latina que interfere diretamente na
perseguição à Igreja.
O governo venezuelano, contextualizado à
Igreja Perseguida, foi bastante prejudicial aos cristãos colombianos.
Uma vez que, segundo reportagens da imprensa nacional e internacional,
Chávez apoiava o movimento guerrilheiro que é contrário à postura e aos
valores cristãos, ao fornecer armamento, comida, tecnologia e exílio a
comandantes e militantes, o presidente fortalecia a guerrilha que
persegue a Igreja.
Segundo o evangelista colombiano Jairo,
ex-comandante da ELN, "na Colômbia não existe negociação de paz entre a
guerrilha e o governo; e sim, quem consegue matar os mais poderosos.
Líderes guerrilheiros conseguem exílio nos países vizinhos [como a
Venezuela]. Em 2008, por exemplo, o ex-presidente da Colômbia Álvaro
Uribi foi ao Equador, sem autorização oficial, para matar o 2°
comandante das FARC, Raul Sanchez. Na época, a Venezuela preparou todo o
seu armamento nuclear para contra-atacar a Colômbia pela morte do
guerrilheiro".
De acordo com a Constituição da Venezuela, de
1999, se o presidente do país morrer depois de assumir o comando do
Estado, cabe ao vice-presidente convocar novas eleições em um período de
30 dias. Portanto, esse é o momento de contínua oração a Deus pelo
futuro da nação, que pode impactar os demais países da América Latina.
Ore
ao Senhor pelos cristãos na Venezuela e na Colômbia, para que Deus os
fortaleça e os proteja tanto nesse período de transição da liderança,
quanto após o novo presidente ser eleito e interceda pelas novas
relações de poder entre as nações.
Redação: Ana Luíza Vastag